Tuesday, February 20, 2018

Afinar a viola, encontrar o equilíbrio da vida


Gosto de música e consigo tocar algumas melodias na viola. Não me considero uma música pois nunca aprendi a ler uma pauta e não dedico as horas que devia e que o instrumento merecia. Mas gosto de tocar, permite-me libertar emoções, a deixar-me ir...

Quando estudei o Budismo, encontrei a noção de equilíbrio. Sidharta estava nas margens do rio, quando viu e ouviu um mestre a explicar ao seu aluno como deveria afinar o seu instrumento. Se apertasse a corda demasiado, ela poderia partir. A corda muito frouxa não dá o som. Temos de encontrar o equilíbrio de cada corda, a sua nota. Sidharta descobriu que o equilíbrio é o segredo da vida. Esta história ficou-me profundamente marcada e cada vez que afino a viola, lembro-me dela.

A minha vida tem sido uma busca incessante pelo equilíbrio...mas sempre me senti como uma aprendiz de equilibrista, sempre com a corda por baixo dos meus pés instável e eu sempre em tensão a tentar encontrar o ponto de equilíbrio.

Nos últimos anos, algo mudou. Comecei a aceitar que a vida é desequilíbrio e eu vou vivendo os dias procurando pontos de equilíbrio. Que não são no meio. O equilíbrio da vida nunca está no meio. É desafiante e belo. Talvez seja este o motivo pelo qual tantos poetas comparam a vida a uma melodia.

Sunday, February 18, 2018

O Coelho e o Urso

O Coelho e o Urso é uma coleção infantil, para já com dois volumes, que saiu este fim de semana. As ilustrações atraíram o meu olhar e quando comecei a ler as primeiras páginas, já não o pousei.
Os personagens são deliciosos e as histórias muito bem escritas e ilustradas. São daqueles livros para ler e reler muitas vezes com os nossos filhos.



O Coelho e o Urso  1: Mas Que Coelho EsquisitoO Coelho e o Urso  1: Mas Que Coelho Esquisito by Julian Gough
My rating: 5 of 5 stars

Apaixonei-me por estes dois amigos improváveis, um urso e um coelho. Um urso com toda a paciência do mundo e um coelho resmungão. Para ler e reler muitas vezes com os meus filhos.


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My rating: 5 of 5 stars
É incrível como tudo se torna mais sereno quando vemos o mundo de uma perspectiva diferente.

Que belíssima lição sobre nós próprios, a forma como vemos o mundo e como os amigos nos ajudam a ver o mundo através dos seus olhos.


Thursday, February 01, 2018

Leituras de Janeiro


Se as nossas leituras dizem-nos quem somos, então sou uma pessoa estranha... ou então, gosto apenas de ler. Janeiro foi um mês intenso onde fantasia e mitologia predominaram. Estas foram as minhas leituras de janeiro:


A lenda do Rei Artur e os Cavaleiros da Távola Redonda por Howard Pyle. Adoro literatura arturiana e gosto deste autor com a sua linguagem do início do século XIX. Mas infelizmente só encontrei uma versão em português do brasil e não apreciei a tradução. Não existe nenhum exemplar na rede de bibliotecas de Lisboa. Pode ser que um dia encontre algum exemplar num alfarrabista...



A ideia deste livro atraiu-me logo. Um casal que decide arriscar tudo para abrir uma livraria de livros usados numa cidade mineira no interior dos Estados Unidos. Os primeiros capítulos foram interessantes, mas confesso que o livro começou a tornar-se monótono e fui perdendo o interesse. 



Um livro sobre o qual eu tinha grandes expectativas, mas que não me convenceu. É claramente um livro de fantasia, mas não me transportou para a época do Rei Artur. Não reconheci nesta criança o Merlim, um personagem que me é muito querido.



Depois das últimas desilusões literárias, precisei de algo leve e seguro. Fiz a releitura do Robin dos Bosques, numa boa versão traduzida de Howard Pyle. Precisava de um herói, como referi aqui.



Encontrei este livro de Neil Gaiman sobre Mitologia Nórdica e em boa hora o adquiri. Leitura fluida que conseguiu arrancar-me algumas gargalhadas. O Loki é sem dúvida, um personagem inesquecível e algumas das situações onde se vê envolvido são hilariantes. As histórias andam predominantemente à volta de Odin, Thor e Loki. 


O Caminho do Peregrino de John Bunyan foi-me há muito recomendado. É um livro para ler sem pressas e ir meditando. As personagens não deixam espaço à imaginação e cada nome atribuído permite antever o tipo de diálogo que irá suceder. É um livro escrito por um pastor Batista, logo é natural que eu não me identifique com algumas das suas reflexões. Senti a falta do Perdão e Misericórdia.



O dia 27 de janeiro é o dia internacional da lembrança do holocausto e eu aproveitei para ler esta versão em Banda Desenhada do Diário de Anne Frank. Está muito fiel ao livro. Dei 5 estrelas! 

Friday, January 26, 2018

Quando os filhos choram...


Todos passamos por momentos de tristeza. Faz parte da vida. Mas quando um dos nossos filhos está triste porque alguém o magoou, porque lhe partiu o coração, seja qual for o motivo uma mãe sente a dobrar. Aprendi que não são precisas fórmulas, nem decorar métodos, basta estar lá. Estar presente, ouvir, abraçar, acompanhar e deixar chorar.

Oiça tantas vezes adultos dizerem a crianças: “Pára de chorar!”como se as crianças fossem máquinas com botão de ligar e desligar. Faz bem chorar! Não faz mal ficar triste, deixar correr todas as lágrimas que forem precisas porque depois vem o alívio. E depois do alívio, de todas as nuvens passarem , vem a luz do sol e a vontade de seguir em frente.